Baixa Estatura e Hormônio do Crescimento

É de extrema importante investigar a baixa estatura devido ao impacto psicológico e social que ela acarreta, e pelo fato de a diminuição da velocidade de crescimento na criança poder ser um dos primeiros sinais de diversas doenças.

imb-baixa-estaturaO primeiro objetivo do médico é confirmar se realmente há baixa estatura e se há necessidade de investigar sua causa. Para isso, dispomos de tabelas e gráficos de peso, altura e velocidade de crescimento, com os valores normais para cada idade e sexo. Se estiver abaixo do mínimo considerado normal para o sexo e idade a altura da criança deve ser investigada. Também deve ser avaliada a velocidade de crescimento muito abaixo do esperado para a idade, mesmo que a altura ainda esteja normal em relação ao gráfico.

Diversos fatores podem influenciar no crescimento após o nascimento, sendo os principais: genéticos, hormonais, nutricionais (dieta com quantidades adequadas de cálcio, proteínas, calorias), psico-sociais, uso de medicações (corticóides, etc) e presença de doenças sistêmicas.

Um dos principais fatores que influenciam a altura final é a genética, determinada especialmente pela altura dos pais. Pelo uso de uma fórmula específica, sabendo-se a altura do pai e da mãe e o sexo do paciente, pode-se fazer uma previsão de altura final (conhecida como estatura alvo).

Uma causa freqüente e não patológica de baixa estatura é o chamado atraso constitucional do crescimento e puberdade. Tipicamente, são crianças aparentemente saudáveis que começam a apresentar redução da velocidade de crescimento após os 5 anos de idade, ficando assim com altura abaixo do esperado para a idade. Costumam também iniciar a puberdade (e o estirão puberal) e atingir a altura final em idade mais tardia do que a média. Apesar disso, não ocorre prejuízo da altura final, que costuma ficar dentro do esperado para a altura alvo. É comum haver membros na família (materna ou paterna) com antecedente semelhante.

O tratamento da baixa estatura, quando indicado, irá depender da causa da mesma: reposição de hormônio tireoidiano no hipotireoidismo, de hormônio de crescimento, correção de deficiências nutricionais (cálcio, proteínas, ferro, etc.), tratamento específico de doenças sistêmicas que comprometem o crescimento (cardíacas, pulmonares, gastrointestinais, etc.), suspensão de medicações que prejudiquem o crescimento (quando possível, e sempre com orientação e supervisão médica). Casos de atraso constitucional do crescimento e puberdade não necessitam de tratamento, pois normalizam a altura espontaneamente durante a puberdade.

A reposição de hormônio de crescimento (GH) está indicada apenas em algumas situações específicas. Em pacientes com deficiência comprovada de hormônio de crescimento, a reposição deste leva a uma melhora significativa do crescimento e da altura final. Já em pacientes com baixa estatura, mas sem deficiência de GH, o benefício da reposição de GH é muito discutível, e a melhora da altura final esperada é bem mais discreta. Além disso, o tratamento com GH tem custo elevado e apresenta riscos de efeitos adversos e complicações, e isso deve ser levado em conta na hora de decidir sobre a indicação do tratamento.

Dra. Lygia Spassapan de Oliveira

Área do Paciente

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